sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A Cruz e o Crescente - Richard Fletcher


Em a Cruz e o Crescente, o autor faz uma viagem pelo mundo islamico e cristão desde a passagem de Maomé pela terra. Nuances e fatos históricos ao longo da complexa caminhada destas duas religiões, suas influências na formação de cidades, povos e costumes. A caminhada, algumas vezes de tolerância, outras de indiferença e muitas de violência na convivência entre estes dois movimentos religiosos.

O livro nos conta a forma como fronteiras se alargaram e como os povos do mediterrâneo modificaram seus horizontes, físicos e mentais, já que não eram nômades como os povos orientais,  ao ter contato com o islã,  e como teve que  redefinir sua forma de ver o mundo e como lidaram com o desconhecido.

Esta viagem nos leva, não só pelo oriente médio, como também pelo mediterrâneo, pelas conquistas de cada um dos povos, através de persongens reais, anônimos e conhecidos e seus relatos das épocas em que viveram. Conhecemos como cada povo se comportou e como estas mudanças ocorreram ao longo dos séculos, influenciando diretamente na forma como muçulmanos e cristãos se relacionavam.

Um livro interessante, com um assunto muito atual, onde o passado pode explicar um pouco do presente.


domingo, 14 de agosto de 2011

O Verão Perigoso - Ernest Hemingway


Em "O Verão Perigoso" me reencontrei com Ernest Hemingway e me reconcilei com ele. Sua narrativa constantemente me deixava triste e deprimida, embora muitas vezes se passe em lugares que tenho atração especial como Cuba. 

Em "O Verão", ele está leve e feliz e me fez sentir assim também. Foi fácil acompanha-lo em suas andanças pela Espanha no fim dos anos 50, seguindo as touradas por todo o país.

Acompanhado muitas vezes de sua mulher Mary e de vários amigos, rodaram muitos quilômetros nos descrevendo as estradas espanholas, voaram de uma cidade a outra, passaram noites em claro reunindo-se em bares de hoteis, ou casas de amigos, frequentaram restaurantes nos levando a conhecer a gastronomia de diversas regiões da Espanha e principalmente nos apresentou Luís Miguel Dominguín e Antonio Ordóñez, dois grandes toureiros da época e seus duelos.

Ernest Hemingway nos levou com ele para as arenas e nos descreveu as lutas entre matadores e touros, nos ensinou um pouco desta arte tipicamente espanhola (ainda que desagrade e revolte a muitos) com sua grande paixão por elas.


Ernest Hemingway nasceu em 1899, em Illinois nos Estados Unidos. Foi correspondente de guerra em Madrid, durante a Guerra Civil Espanhola. Foi ganhador do prêmio Pulitzer (1953) e Nobel de Literatura (1954), ambos por "O Velho e o Mar". Foi casado quatro vezes e teve diversas amantes. A última mulher foi a jornalista Mary Welsh que o acompanhou nas touradas que descreve em "O Verão Perigoso". Suicidou-se em 2 de Julho de 1961.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cântico de Natal - Charles Dickens


Cântico de Natal é um clássico da literatura inglesa e mundial. Influenciou filmes, gibis, desenhos animados e até outros livros. O personagem principal desta história é Scrooge, um senhor sovina e de coração duro. Scrooge não liga para o Natal e nem para ninguém. Nada o comove: nem as misérias alheias, nem o sofrimento, o frio, e nem mesmo as alegrias. Vive em seu mundo, só preocupando-se com os seus negócios e sua riqueza. Não tem amigos, ignora a família, mas não sente-se solitário.

Era mais uma noite de Natal e as pessoas estavam celebrando pelas ruas de Londres. Para Scrooge, no entando, era só mais um dia, como outro qualquer. Ao terminar o seu serviço, nem um segundo a menos do que o horário habitual, ele dispensa o seu funcionário e vai sozinho para casa. Mas ao deitar-se, tem uma grande surpresa: em seu quarto, aparece seu antigo sócio Jacob Marley. Só havia um único probleminha com Jacob: ele estava morto há sete anos. 

Apavorado, Scrooge teve que escutar o motivo daquela aparição. Ele estava sendo informado que seria visitado por mais três espíritos: o dos Natais passados, do Natal presente e dos Natais futuros. Sem ter como escapar, Scrooge sai em uma viagem com os fantasmas e termina fazendo uma revista em sua vida e no seu futuro. Como esta estranha noite impactará na vida do pobre homem rico?

Em Cântico de Natal, Dickens mostra um pouco das relações de trabalho no século XIX.

Charles Dickens

Charles Dickens nasceu na cidade de Moure, Condado de Hampshire, Inglaterra. Com 10 anos, por causa de problemas financeiros da família muda-se para Camden Town, então bairro popular. Por conta disso Dickens teve que trabalhar em uma fábrica que produzia graxa para sapatos. Vivendo em plena era da Revolução Industrial, as más condições de trabalho seriam por ele retratadas em suas obras. Ele teve dez filhos, com a mesma esposa e morreu em 1870. Foi enterrado na Abadia de Westminster. Cântico de Natal foi publicado em 1843.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Viajando por aí

Sempre que eu posso, eu viajo: ou pego o avião ou carro e saio por aí, ou simplesmente pego um livro e me deixo levar pela história de alguém. Já visitei lugares por causa de livros e já li livros por causa de lugares.

Em 2007 estive no Chile. Quem me levou até este país foi Isabel Allende, uma de minhas escritoras favoritas. Por causa de suas histórias, quis conhecer de perto seu povo. Fiquei encantada com o que vi, com o que comi. E a cada esquina esperava encontrar seus personagens, tão ricos e maravilhosos. E com esta viagem ao Chile acabei descobrindo, e me apaixonando, por outra escritora chilena: Marcela Serrano e suas mulheres incríveis. Em comum, as duas tem a maneira apaixonada de escrever, personagens cheios de vida e a história política e econômica de seu país.

Em 2009 visitei um dos países mais enigmáticos que já conheci: Cuba. Foi uma experiência que até hoje mexe comigo. Por causa desta viagem descobri o jornalista Pedro Juan Gutierrèz que nos conta fria e cruamente a história de Cuba na década de 90, sua decadência e o esforço que seus habitantes fazem para sobreviver e resistir. Fiquei conhecendo ainda Hemingway que tem sua vida intimamente ligada a ilha de Fidel e que, com sua forma deprimida de escrever, nos mostra um outro aspecto e momento de Havana. E ao chegar na cidade, é inevitável procurar percorrer os passos de Ernest Hemingway. E antes mesmo de chegar em Cuba, passei por lá tendo como guia Graham Greene.

2008 foi a vez do México. Para mim, um dos países mais ricos culturalmente que já tive a oportunidade de conhecer. Vários séculos de passado e presente convivem de forma harmoniosa. Quem primeiro me levou até lá foi Juan Rulfo e sua literatura surreal, intensa, sobrenatural até. Depois passei pelas mãos de Ángeles Mastretta e seu passeio pelo coronelismo mexicano sem perder a doçura na narrativa. E por fim, conheci a famosa Laura Esquivel e sua culinária mágica.

Para visitar o Uruguai, mergulhei nas histórias de Eduardo Galeano sobre as ditaduras sul americanas. E também no mundo do futebol de "Como o Futebol Explica o Mundo", de Franklin Foer. E fiz uma viagem linda pelAs Brumas de Avalon e por causa de Fada Morgana e do Rei Arthur, fui parar em Glastonbury, na Inglaterra. E foi emocionante pisar em Bath, onde Jane Austen, outra autora muito querida, passava férias. Em Londres, quis conhecer o mundo criado por Arthur Conan Doyle e Ágatha Christie e caminhava procurando por Oliver Twist. E tentava sentir a atmosfera de "O Morro dos Ventos Uivantes" na Inglaterra rural.

Qualquer forma de viajar, vale a pena. Ao ler um livro, a gente se envolve com os personagens, com suas histórias, com suas emoções. Vivemos junto com eles, aprendemos. E depois, ou antes, visitar ao vivo os lugares que tais personagens passaram, imaginar que eles viveram por ali, choraram, riram, caminharam é muito intenso. Ver as cores, sentir os cheiros, dá outra dimensão tanto para os livros quanto para os locais visitados de verdade.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Como o Futebol Explica o Mundo - Franklin Foer


Eu sou uma amante do futebol e por isso aceitei a indicação para ler "Como o Futebol Explica o Mundo". Mas, para minha surpresa, este livro não é apenas para aquelas pessoas que gostam do esporte, mas para todos aqueles que se interessam por conhecer um pouco melhor o mundo .

Franklin Foer visita diversos países, entre eles o Brasil, e nos mostra a relação entre o futebol e as características sociais, culturais e econômicas de cada país.

É um livro curioso e interessante porque nos mostra que o esporte não é um fator isolado de uma sociedade e sim um reflexo de seu povo. Em contrapartida, o futebol influencia também a política e economias mundiais. Especialmente agora que o Brasil irá sediar uma Copa do Mundo e o assunto, sob diversos aspectos, movimenta os noticiários, vale a leitura.

Franklin Foer
Franklin Foer é jornalista, americano e editor chefe do The New Republic. Como o Futebol Explica o Mundo foi publicado em 2004.